Para ligar uma lâmpada tubular de LED no lugar de uma fluorescente, o reator (e o starter, quando houver) sai do circuito e a fase e o neutro vão direto aos soquetes, na forma que o tubo exige: alimentação por uma ponta ou pelas duas. A conversão mexe na fiação da calha e deve ser feita por eletricista, com o disjuntor do circuito desligado.

Por que o reator sai

A lâmpada fluorescente precisa de um reator para dar o impulso de partida e depois limitar a corrente. Ele fica dentro da calha e consome energia, aquece e envelhece. O reator eletromagnético antigo costuma ter starter, um pequeno cilindro que fica ao lado do soquete.

O tubo LED não depende dessa eletrônica. Os modelos para ligação direta já trazem o driver dentro do tubo, e o reator vira peça sobrando, ou melhor, um obstáculo. É por isso que a conversão passa por "tirar o reator".

Vídeo: Como tirar o reator e colocar lampada de lede — canal Álvaro dias (YouTube)

Primeiro, descubra que tipo de tubo você tem

Nem todo tubo LED é igual, e a diferença está na embalagem e no rótulo do próprio tubo. Antes de qualquer conversão, procure por estas informações:

Informação no rótuloO que significa
"Ligação direta", "bypass" ou "sem reator"Funciona sem reator, ligado direto à rede
"Compatível com reator" ou "plug and play"Pode ser instalado mantendo o reator existente
"Alimentação em uma ponta"Fase e neutro entram do mesmo lado do tubo
"Alimentação em duas pontas"Fase entra de um lado e neutro do outro
Tensão indicada (127 V, 220 V ou bivolt)Precisa casar com a rede da casa

Se o rótulo não indica o esquema, o manual ou o fabricante respondem. Quem não consegue identificar o tipo não deve instalar o tubo. Ligar um tubo de ligação direta numa calha com o reator ainda ativo pode queimá-lo.

Antes de ligar o tubo, confirme a tensão da calha: veja como saber se a tomada é 127 V ou 220 V.

Esquema 1: alimentação em uma ponta

Em tubos de alimentação em uma ponta, os dois contatos de um lado do tubo recebem fase e neutro, e o outro lado funciona apenas como apoio. Na calha, isso significa:

  • Fase e neutro chegam ao mesmo soquete (o lado indicado pelo fabricante).
  • O soquete do lado oposto não leva energia e serve só para segurar o tubo.
  • Se a calha tem dois soquetes ligados em curto entre si, essa ligação precisa ser desfeita.

É um esquema prático, com menos pontos de ligação, mas a calha precisa ter o soquete certo no lado certo, e o tubo não pode ser colocado invertido.

Esquema 2: alimentação em duas pontas

Em tubos de duas pontas, a fase entra por um soquete e o neutro pelo outro. O tubo funciona como um "caminho" entre os dois contatos, com o driver interno no meio. Isso muda a fiação:

  • Um soquete recebe a fase.
  • O soquete oposto recebe o neutro.
  • Os dois contatos de cada ponta podem estar internamente ligados entre si, conforme o tubo.

Nesse esquema, o risco está em inverter ou misturar: se fase e neutro forem parar no mesmo lado em um tubo de duas pontas, o tubo não funciona ou queima. Em alguns projetos o soquete tem proteção para evitar encaixe de tubo errado.

A ligação em série, aquela que alimenta duas fluorescentes pelo mesmo reator, não vale para os tubos de ligação direta. Cada tubo LED é ligado em paralelo, com seus próprios pontos de fase e neutro.

Passo a passo da conversão (feito pelo eletricista)

O que o profissional faz, em ordem:

  1. Desliga o disjuntor do circuito da calha e confirma que a luz não acende no interruptor.
  2. Retira o tubo fluorescente e o starter, se houver.
  3. Abre a calha e verifica o estado da fiação: fios ressecados, emendas soltas e soquetes quebrados são trocados.
  4. Remove ou isola o reator, conforme o modelo do tubo LED, e desfaz as ligações antigas.
  5. Liga fase e neutro nos soquetes na ordem do esquema escolhido (uma ou duas pontas), com os fios bem fixados.
  6. Verifica se o soquete serve para o esquema: em ligação direta, o soquete precisa ter contatos independentes e adequados.
  7. Encaixa o tubo na posição indicada pelo fabricante.
  8. Fecha a calha, religa o disjuntor e testa.

Todos esses passos são do eletricista: a calha de fluorescente antiga costuma ter ligações misturadas de várias reformas, e o risco é de choque e curto.

O que o morador pode fazer sozinho

O morador pode fazer três coisas que não envolvem fiação:

  • Ler o rótulo do tubo que comprou e separar os tubos de ligação direta dos compatíveis com reator.
  • Verificar a tensão indicada no tubo e na rede da casa. Tubo de 127 V em rede de 220 V queima.
  • Trocar um tubo compatível com reator, quando o fabricante informa que a calha continua como estava. Com o disjuntor do circuito desligado, retira-se o tubo antigo, encaixa-se o novo e liga-se o disjuntor.

Qualquer abertura de calha, retirada de reator ou troca de soquete fica com o eletricista.

Detalhes que fazem diferença depois da troca

Tubos LED de ligação direta têm potência bem menor que a fluorescente que substituem, e o fabricante informa no rótulo o consumo e o fluxo de luz. Por isso, antes de converter toda a casa, compare o brilho de um tubo em uma calha para ver se agrada. Também vale reparar no comprimento: o tubo LED deve ter o mesmo tamanho do fluorescente antigo, para caber nos mesmos soquetes.

Guarde a embalagem do tubo ou fotografe o rótulo. Quando precisar trocar de novo, o tipo de ligação estará ali, e quem fizer a manutenção não terá de abrir a calha para descobrir. O reator removido deve ser descartado como resíduo eletrônico, e não jogado no lixo comum. O tubo fluorescente antigo contém mercúrio: não quebre, guarde inteiro na embalagem e leve a um ponto de coleta de lâmpadas.

Quando chamar um técnico

A conversão exige o profissional nos seguintes casos:

  • A calha tem fios ressecados, quebradiços ou com isolação escurecida, porque o calor do reator antigo agiu por anos.
  • Os soquetes estão quebrados, enferrujados ou com contatos escurecidos.
  • Não é possível identificar o tipo de tubo LED ou o esquema de ligação.
  • A calha está em lugar alto, como forro, teto de galpão ou garagem.
  • O disjuntor desarma depois da troca.

Calhas antigas com fiação ressecada valem revisão de eletricista antes da conversão. Na visita, peça para o profissional informar o esquema usado (uma ou duas pontas), deixar anotado na calha e indicar se algum soquete ou fio foi trocado, para que a próxima troca de tubo não dependa de adivinhação.