A instalação de um ar-condicionado split segue etapas fixas: escolher os pontos, fixar as unidades, passar a tubulação, fazer o flangeamento, testar a vedação, fazer vácuo, liberar o gás e ligar a parte elétrica. Fixar as unidades e planejar o trajeto é a parte visível. O que decide a vida útil do aparelho está nas etapas que não se veem, como vácuo, flange e carga.

Abaixo estão o processo completo, uma lista para conferir antes da visita do instalador e o que cabe ao morador e o que pede profissional.

Antes de comprar: o que dimensionar

A instalação começa na escolha do aparelho. Alguns pontos influenciam o projeto:

  • Potência em BTUs: depende da área, da insolação, do número de pessoas e dos equipamentos do ambiente. Aparelho subdimensionado trabalha sem parar, e superdimensionado liga e desliga demais.
  • Tensão: 127 V ou 220 V. O aparelho e o circuito elétrico devem coincidir.
  • Tipo de gás e tecnologia: inverter ou convencional, com R410A, R32 ou outro, conforme o modelo.
  • Local da condensadora: fachada, varanda, laje ou área de serviço, sempre com ventilação.
Vídeo: 2026┃Como Instalar Ar Condicionado Split [Video Rápido e Objetivo] — canal Hudson - Ar Condicionados (YouTube)

Checklist de pré-instalação

Use esta lista para conferir se o local está preparado e se o serviço do instalador vai correr bem:

  • Parede da evaporadora firme e sem tubulação ou fios embutidos no ponto de fixação.
  • Espaço livre acima da evaporadora, em geral de uns 15 cm ou mais, conforme o manual.
  • Distância entre evaporadora e condensadora dentro do limite do fabricante.
  • Condensadora com folga para ventilação, sem parede ou obstáculo logo à frente.
  • Ponto de dreno com caimento para ralo, jardim ou área externa.
  • Tomada ou ponto de força dedicado ao aparelho.
  • Disjuntor exclusivo, dimensionado para a corrente do modelo.
  • Fiação com bitola adequada, conferida no manual.
  • Acesso seguro para trabalho em altura, com ponto de ancoragem ou plataforma.

O manual do aparelho traz as medidas exatas de distâncias, diâmetros e corrente. Em caso de divergência, vale o manual.

Etapa 1: escolher e marcar os pontos

A evaporadora, unidade interna, deve ficar em posição alta e com fluxo de ar livre pelo ambiente, longe de portas e cortinas. Evite apontar o jato direto para a cama ou para o sofá.

A condensadora, unidade externa, precisa de ventilação e acesso para manutenção. Quanto mais curto o trajeto de tubulação, melhor o rendimento.

Etapa 2: fixar a evaporadora

O instalador marca o nível com régua ou nível a laser, fixa a chapa de montagem com buchas e parafusos adequados à parede e pendura a unidade. A chapa precisa estar nivelada para o dreno escoar corretamente. Em parede de gesso ou drywall, é preciso reforço.

Etapa 3: furar a parede e passar os tubos

Um furo com serra copo, geralmente em torno de 6 a 7 cm, leva a tubulação, o dreno e o cabo para fora. O furo deve ter leve caimento para fora, de modo que a água da chuva não entre.

Quem procura como instalar sem quebrar parede encontra uma alternativa prática: passar tubulação e cabos por canaleta externa, em vez de embutir na alvenaria. Ainda é necessário um furo para atravessar a parede, mas as canaletas dispensam os rasgos.

Etapa 4: fixar a condensadora

A condensadora vai em suporte de aço (mão-francesa) ou sobre base no chão ou laje. O suporte deve resistir ao peso da unidade, e a fixação precisa de buchas e parafusos firmes. A unidade fica nivelada e com borrachas de apoio para reduzir vibração. Em andares altos, o trabalho exige cinto de segurança e ponto de ancoragem.

Etapa 5: tubulação, isolamento e dreno

Cada split tem dois tubos de cobre: um fino, de líquido, e um grosso, de sucção. Os diâmetros variam conforme a potência, e o manual indica os valores. Pontos-chave:

  • usar tubo de cobre próprio para refrigeração, limpo e vedado nas pontas;
  • isolar os dois tubos separadamente com espuma elastomérica;
  • evitar curvas fechadas que amassem o cobre;
  • fazer o dreno com caimento contínuo, sem subida.

Misturar tubos sem isolamento ou deixar emendas expostas causa condensação e gotejamento.

Etapa 6: flangeamento

Nas pontas dos tubos, o instalador faz o flange, uma borda cônica que veda a conexão com a porca da unidade. É uma etapa crítica: o flange mal feito é um ponto frequente de vazamento de gás em instalação nova. O profissional usa flangeador e torquímetro para apertar na medida certa, nem solta e nem apertada demais.

Etapa 7: teste de estanqueidade e vácuo

Antes de liberar o gás, o sistema precisa estar limpo e seco. O instalador conecta a bomba de vácuo e o manômetro e extrai ar e umidade. Depois, observa no manômetro se o vácuo se mantém com a bomba desligada, o que indica que não há vazamento. O tempo de vácuo varia conforme a potência e a umidade local.

Pular o vácuo ou fazer a "purga", soltando gás da condensadora para expulsar o ar, encurta a vida do compressor e causa perda de eficiência.

Etapa 8: liberar o gás e ligar

A condensadora vem com carga de gás para um comprimento padrão de tubulação. Se o trajeto for maior que o especificado, o fabricante indica a quantidade extra por metro. Após o vácuo, o instalador abre as válvulas de serviço, o gás percorre o circuito, e então o sistema é energizado. A carga correta é a da etiqueta do fabricante, pesada ou medida pelo método indicado.

Etapa 9: parte elétrica

O aparelho deve ter circuito dedicado, com disjuntor do tipo e da corrente indicados no manual, fiação com a bitola correta e aterramento. Ligações improvisadas, tomadas compartilhadas ou fios finos esquentam e podem causar incêndio. Qualquer trabalho no quadro de distribuição deve ser feito por profissional habilitado, com a energia desligada.

Etapa 10: teste final

O instalador liga o aparelho e confere:

  1. se a condensadora funciona sem ruído anormal ou vibração;
  2. se o ar sai gelado na evaporadora;
  3. se o dreno está escoando sem vazamento;
  4. se não há gelo nos tubos;
  5. a corrente consumida, comparada à nominal.

Peça uma demonstração do controle e do modo de limpeza dos filtros.

O que exige técnico certificado

Vácuo, flangeamento e carga exigem instalador com ferramenta: não faça sozinho. Isso inclui qualquer manuseio do gás, a solda e as ligações elétricas no quadro. Para o morador, o que costuma ser seguro é a preparação do local, a limpeza da obra e o acompanhamento do serviço.

EtapaQuem fazPor quê
Escolher e liberar os pontos da evaporadora e da condensadoraMoradorSó exige medir e tirar móveis do caminho
Furar a parede e passar a tubulaçãoInstaladorRisco de atingir cano ou fio embutido
Flangeamento e conexões de cobreInstaladorFlange mal feito vira vazamento de gás
Vácuo e teste de estanqueidadeInstaladorExige bomba de vácuo e manômetro
Liberar o gás e conferir pressõesInstaladorManuseio de refrigerante é serviço técnico
Circuito elétrico e disjuntor exclusivoEletricista ou instaladorBitola e proteção dependem da potência
Teste final e limpeza da obraOs dois juntosVocê confere temperatura de saída e dreno

Quando chamar um técnico e o que perguntar

Chame um instalador antes mesmo de comprar, para avaliar o local. Na visita, pergunte:

  • qual será o trajeto da tubulação e o comprimento total;
  • se o serviço inclui suporte, canaleta, tubo, dreno e disjuntor, ou só mão de obra;
  • se será feito vácuo com bomba e manômetro;
  • qual é a garantia da instalação e do serviço;
  • se ele fornece comprovante do serviço.

Desconfie de quem promete instalação em poucos minutos ou dispensa o vácuo. Um serviço bem feito leva algumas horas e deixa o aparelho funcionando com folga por muitos anos.