A instalação de um ar-condicionado split segue etapas fixas: escolher os pontos, fixar as unidades, passar a tubulação, fazer o flangeamento, testar a vedação, fazer vácuo, liberar o gás e ligar a parte elétrica. Fixar as unidades e planejar o trajeto é a parte visível. O que decide a vida útil do aparelho está nas etapas que não se veem, como vácuo, flange e carga.
Abaixo estão o processo completo, uma lista para conferir antes da visita do instalador e o que cabe ao morador e o que pede profissional.
Antes de comprar: o que dimensionar
A instalação começa na escolha do aparelho. Alguns pontos influenciam o projeto:
- Potência em BTUs: depende da área, da insolação, do número de pessoas e dos equipamentos do ambiente. Aparelho subdimensionado trabalha sem parar, e superdimensionado liga e desliga demais.
- Tensão: 127 V ou 220 V. O aparelho e o circuito elétrico devem coincidir.
- Tipo de gás e tecnologia: inverter ou convencional, com R410A, R32 ou outro, conforme o modelo.
- Local da condensadora: fachada, varanda, laje ou área de serviço, sempre com ventilação.
Checklist de pré-instalação
Use esta lista para conferir se o local está preparado e se o serviço do instalador vai correr bem:
- Parede da evaporadora firme e sem tubulação ou fios embutidos no ponto de fixação.
- Espaço livre acima da evaporadora, em geral de uns 15 cm ou mais, conforme o manual.
- Distância entre evaporadora e condensadora dentro do limite do fabricante.
- Condensadora com folga para ventilação, sem parede ou obstáculo logo à frente.
- Ponto de dreno com caimento para ralo, jardim ou área externa.
- Tomada ou ponto de força dedicado ao aparelho.
- Disjuntor exclusivo, dimensionado para a corrente do modelo.
- Fiação com bitola adequada, conferida no manual.
- Acesso seguro para trabalho em altura, com ponto de ancoragem ou plataforma.
O manual do aparelho traz as medidas exatas de distâncias, diâmetros e corrente. Em caso de divergência, vale o manual.
Etapa 1: escolher e marcar os pontos
A evaporadora, unidade interna, deve ficar em posição alta e com fluxo de ar livre pelo ambiente, longe de portas e cortinas. Evite apontar o jato direto para a cama ou para o sofá.
A condensadora, unidade externa, precisa de ventilação e acesso para manutenção. Quanto mais curto o trajeto de tubulação, melhor o rendimento.
Etapa 2: fixar a evaporadora
O instalador marca o nível com régua ou nível a laser, fixa a chapa de montagem com buchas e parafusos adequados à parede e pendura a unidade. A chapa precisa estar nivelada para o dreno escoar corretamente. Em parede de gesso ou drywall, é preciso reforço.
Etapa 3: furar a parede e passar os tubos
Um furo com serra copo, geralmente em torno de 6 a 7 cm, leva a tubulação, o dreno e o cabo para fora. O furo deve ter leve caimento para fora, de modo que a água da chuva não entre.
Quem procura como instalar sem quebrar parede encontra uma alternativa prática: passar tubulação e cabos por canaleta externa, em vez de embutir na alvenaria. Ainda é necessário um furo para atravessar a parede, mas as canaletas dispensam os rasgos.
Etapa 4: fixar a condensadora
A condensadora vai em suporte de aço (mão-francesa) ou sobre base no chão ou laje. O suporte deve resistir ao peso da unidade, e a fixação precisa de buchas e parafusos firmes. A unidade fica nivelada e com borrachas de apoio para reduzir vibração. Em andares altos, o trabalho exige cinto de segurança e ponto de ancoragem.
Etapa 5: tubulação, isolamento e dreno
Cada split tem dois tubos de cobre: um fino, de líquido, e um grosso, de sucção. Os diâmetros variam conforme a potência, e o manual indica os valores. Pontos-chave:
- usar tubo de cobre próprio para refrigeração, limpo e vedado nas pontas;
- isolar os dois tubos separadamente com espuma elastomérica;
- evitar curvas fechadas que amassem o cobre;
- fazer o dreno com caimento contínuo, sem subida.
Misturar tubos sem isolamento ou deixar emendas expostas causa condensação e gotejamento.
Etapa 6: flangeamento
Nas pontas dos tubos, o instalador faz o flange, uma borda cônica que veda a conexão com a porca da unidade. É uma etapa crítica: o flange mal feito é um ponto frequente de vazamento de gás em instalação nova. O profissional usa flangeador e torquímetro para apertar na medida certa, nem solta e nem apertada demais.
Etapa 7: teste de estanqueidade e vácuo
Antes de liberar o gás, o sistema precisa estar limpo e seco. O instalador conecta a bomba de vácuo e o manômetro e extrai ar e umidade. Depois, observa no manômetro se o vácuo se mantém com a bomba desligada, o que indica que não há vazamento. O tempo de vácuo varia conforme a potência e a umidade local.
Pular o vácuo ou fazer a "purga", soltando gás da condensadora para expulsar o ar, encurta a vida do compressor e causa perda de eficiência.
Etapa 8: liberar o gás e ligar
A condensadora vem com carga de gás para um comprimento padrão de tubulação. Se o trajeto for maior que o especificado, o fabricante indica a quantidade extra por metro. Após o vácuo, o instalador abre as válvulas de serviço, o gás percorre o circuito, e então o sistema é energizado. A carga correta é a da etiqueta do fabricante, pesada ou medida pelo método indicado.
Etapa 9: parte elétrica
O aparelho deve ter circuito dedicado, com disjuntor do tipo e da corrente indicados no manual, fiação com a bitola correta e aterramento. Ligações improvisadas, tomadas compartilhadas ou fios finos esquentam e podem causar incêndio. Qualquer trabalho no quadro de distribuição deve ser feito por profissional habilitado, com a energia desligada.
Etapa 10: teste final
O instalador liga o aparelho e confere:
- se a condensadora funciona sem ruído anormal ou vibração;
- se o ar sai gelado na evaporadora;
- se o dreno está escoando sem vazamento;
- se não há gelo nos tubos;
- a corrente consumida, comparada à nominal.
Peça uma demonstração do controle e do modo de limpeza dos filtros.
O que exige técnico certificado
Vácuo, flangeamento e carga exigem instalador com ferramenta: não faça sozinho. Isso inclui qualquer manuseio do gás, a solda e as ligações elétricas no quadro. Para o morador, o que costuma ser seguro é a preparação do local, a limpeza da obra e o acompanhamento do serviço.
| Etapa | Quem faz | Por quê |
|---|---|---|
| Escolher e liberar os pontos da evaporadora e da condensadora | Morador | Só exige medir e tirar móveis do caminho |
| Furar a parede e passar a tubulação | Instalador | Risco de atingir cano ou fio embutido |
| Flangeamento e conexões de cobre | Instalador | Flange mal feito vira vazamento de gás |
| Vácuo e teste de estanqueidade | Instalador | Exige bomba de vácuo e manômetro |
| Liberar o gás e conferir pressões | Instalador | Manuseio de refrigerante é serviço técnico |
| Circuito elétrico e disjuntor exclusivo | Eletricista ou instalador | Bitola e proteção dependem da potência |
| Teste final e limpeza da obra | Os dois juntos | Você confere temperatura de saída e dreno |
Quando chamar um técnico e o que perguntar
Chame um instalador antes mesmo de comprar, para avaliar o local. Na visita, pergunte:
- qual será o trajeto da tubulação e o comprimento total;
- se o serviço inclui suporte, canaleta, tubo, dreno e disjuntor, ou só mão de obra;
- se será feito vácuo com bomba e manômetro;
- qual é a garantia da instalação e do serviço;
- se ele fornece comprovante do serviço.
Desconfie de quem promete instalação em poucos minutos ou dispensa o vácuo. Um serviço bem feito leva algumas horas e deixa o aparelho funcionando com folga por muitos anos.




